Parto domiciliar, por onde começo?



Quero um parto domiciliar, o que devo fazer? Como começar?


Primeiramente é importante que sua casa esteja a um tempo seguro de distância de um hospital que atenda emergência. Não a mais de 30 minutos, quanto mais próximo, melhor. 
Faça uma simulação de trajeto no Google Maps da sua casa até o hospital mais próximo, que vai lhe mostrar o tempo médio para a distância percorrida.
Outro fator importante é uma gravidez saudável, pré-natal bem realizado e gravidez de baixo risco.
Ter o apoio de seu companheiro é fundamental, na maioria das vezes o homem inicialmente se assusta com a possibilidade e não demonstra apoio. Isso é reflexo da falta de informação em relação ao assunto. Forneça informações. Vão juntos a roda de gestantes de grupos de humanização. No final darei algumas sugestões de grupos.
Obstetra? Sim, é importante teres um obstetra para fazer o pré-natal, exames e tudo mais, porém ele não fará seu parto. Aqui no RS não é permitido que GO façam partos em casa, somente as Enfermeiras Obstétricas. Mas, pode ser no SUS sim, viu? Isso é totalmente possível. O meu foi pelo SUS. E faz todos os exames necessário pelo SUS.
Então, reforçando o parto domiciliar no RS é permitido que seja realizado por Enfermeiras Obstétricas, que são nomeadas também como parteiras, mas existem as parteiras tradicionais que não são Enfermeiras de formação. Então na verdade é diferente a parteira da Enfermeira Obstétrica. Mas você ouvirá comumente por parte das pessoas, chamarem as EO de parteiras.

Então qual a formação mais comum de uma equipe domiciliar?

 - 02 (DUAS) Enfermeiras Obstétricas
 - 01 (UMA) Doula

Como escolher esses profissionais?

Aqui no RS, temos poucas EO que atuam em Parto Domiciliar, então provavelmente não terás muitas duvidas na hora da escolha.

Doulas já tens um leque de opções bem maior. Temos várias atuando no momento.

E ai, se tem várias como escolher? A Doula ela trabalha bastante com a gestante e família desde e gestação, depois parto e no pós parto. Então é fundamental que tenhas uma identificação. Eu inclusive digo que a Doula, pode fazer de tudo para prospectar clientes, usar estratégias formais do meio profissional e até de marketing, que se "o santo não bater", não vai adiantar. Porque o contato da Doula com a mulher é tão próximo, que precisa ter uma ligação importante, para que essa mulher se sinta a vontade, intima, segura e se permita juntamente com sua Doula.
Então, minha sugestão é fazer pesquisa, levantar nomes na internet de doulas próxima a você, ir a rodas que elas estejam e observar, marcar um café com as que mais te chamaram a atenção, buscar relatos de mulheres que já tiveram aquela doula. E assim ir formando a sua opinião até teu coração falar alto no seu ouvido: é essa!
Acredite, você vai saber quando encontrar sua Doula.
Eu tinha algumas doulas que pesquisei no facebook mesmo, quando fui visitar a que acabei escolhendo, decidi por ela no momento em que ela abriu a porta e disse: Oiiii, boa tarde!
Ali já me conectei com ela, e não tive duvidas.

Foto Equipe Além D'Olhar - não reproduzir sem autorização
E o ingrediente principal para um parto domiciliar é a INFORMAÇÃO. Se vista inteirinha de informações. Informação é poder. E acredite, você ficará poderosa com informações e embasamento para lutar pelo parto que desejas. E se...o seu parto não sair como planejado, o desfecho for uma cesárea por exemplo, você ficará segura que fez o seu melhor e terás a certeza que sua cesárea aconteceu porque era necessária e não veio para roubar o seu parto.

Meu desejo, é que você que chegou até aqui na busca de uma parto domiciliar, não tenha sido por acaso e que ele seja como você sonha. Se surgiram outras duvidas, escreve pra mim, terei muita alegria em te responder.

Beijos, Doula Verônica Varela

Rodas de Gestantes que buscam um Parto Humanizado:







PATERNIDADE NA GESTAÇÃO, PARTO E PUERPÉRIO





Dia dos pais chegando e algumas discussões começam a pipocar nas redes sociais sobre paternidade ativa e a figura paterna na vida dos filhos.

Por longos anos o pai esteve numa posição apenas de provedor da família, e culturalmente desde a gestação ele não se fazia presente.

Finalmente o assunto passou a ser discutido e muitas famílias já mudaram a forma de conduzir o triângulo mãe + pai + filho.
Eu já digo a algum tempo que ter um filho é um ato de fé, fé de que o mundo ainda vale a pena, que as coisas ainda podem mudar. E se temos fé, precisamos ter responsabilidade por este ser humano que passará a habitar nosso planeta. É nossa responsabilidade ensinar a este novo ser valores como respeito, amor ao próximo, empatia, cooperativismo, generosidade, amizade e tantas outras questões que queremos deixar de herança. 
E como iremos passar isso de forma sólida? Com o exemplo. 

E quem deve dar o exemplo? Todos os cuidadores dessa criança, que podem ser pai e mãe ou avós, dindos. Depende do formato de cada família. 
O pai, mais do que nunca, deve tomar para si sua posição de pai desde a gestação, para que a mulher que está num momento de tantas transformações emocionais e psicológicas, sinta-se realmente amada e acolhida ao passar por esta gestação. Este bebê ainda dentro do útero, vai poder já estabelecer uma conexão com esta família que o irá recepcionar já no primeiro minuto de sua vida. 
Por muito tempo, ao pai não era permitido sua presença durante o parto, hoje já existe uma lei federal que assegura esse direito a mulher. Porque a mulher tende a sentir-se assustada e insegura num ambiente hospitalar rodeada de pessoas estranhas, a presença do pai do bebê lhe fornece segurança e acolhimento nessa hora. E mais uma vez, para este homem é um momento de nascer junto com aquele bebê, como pai.
E o pós parto, é hoje amplamente falado como e temido puerpério. Um momento que pode durar até os dois anos de uma criança. Aquela mãe passou por um momento de transformação gigante, ela gerou e pariu uma vida, é responsável por nutrir aquele recém nascido, está com uma descarga hormonal muito grande o que a deixa emocionalmente sensível, ter um pai que é cem por cento presente e que não só faz pelo bebê, mas faz por ela também, torna esse processo bem menos sofrido.
E estar num ambiente de amor, tem como dar errado? Não. Então um bebê que acabou de iniciar sua vida, perceber que é amado e que está seguro em dois colos (da mãe e do pai), é ou não é melhor do que só o colo da mãe? Quanto mais seguro e acolhido este bebê se sentir, melhor para ele. Maiores a chance de termos um adulto seguro, com amor próprio e independente.
Estamos lentamente caminhando para formatos de criação com mais amor e respeito aos nossos filhos como individuo, mas o bom é que estamos caminhando para frente. Aos poucos e de geração em geração o ciclo de abandono e violência vai sendo quebrado. E de grão em grão, nós mães, a cada dia ganhamos mais pais aliados. Cada dia mais homens estão de desconstruindo e se reconstruindo do zero, como homens livres de machismo, preconceitos e de que a figura do pai é fria e dura, dispostos a passarem para nossos filhos que o amor não tem gênero e nem hierarquia. 



Que nossos passos a caminho da evolução sejam constantes.

Beijos, Verônica Varela

Texto publicado originalmente no Blog da minha querida amiga Pâmela do Fofoca de Mãe. O texto está aqui



Eu, como Doula


Depois que me formei como Doula, recebi mensagens no inbox ou fui abordada pessoalmente com o questionamento: o que faz uma Doula? Ela faz o parto? É só para parto domiciliar? É só para parto humanizado?

Vamos lá...
A Doula fornece o suporte físico e emocional a parturiente no trabalho de parto, no pré parto ela prepara essa família para o momento do parto com informações que vão desde direitos dessa gestante até trabalhar o emocional sobre o poder e capacidade de parir que essa mulher tem e depois no pós parto a Doula auxilia amplamente com tudo que muda na vida dessa nova mulher, o famoso e (não) falado puerpério. 
NÃO, a Doula NÃO faz parto. Em hipótese alguma. Ela não faz exame de toque na mulher, ela não verifica dilatação ou ausculta bebê. Ela não ministra medicamentos. Não e não. Ok? Então tá. Beleza.
A Doula acompanha a mulher no parto hospitalar e domiciliar. E não precisa ser exclusivamente em um parto humanizado. Claro que no parto humanizado, a doula consegue, inclusive com consentimento do obstetra, a desenvolver melhor seu trabalho junto a parturiente. Mas uma mulher que vai ganhar em um hospital com equipe não humanizada e que deseja ter uma doula para amenizar algumas intervenções e tentar diminuir as violências obstétricas, é possível. Não é garantia de que vamos conseguir tudo, mas podemos conseguir algumas vitórias sim.
Esse é meu trabalho, que tanto me realiza. Gratidão por estar numa posição tão privilegiada. 



Evoluir para ser amada


E quando você percebe que receber amor e carinho também exige de você EVOLUÇÃO?

Alguém como eu que foi criada dentro de um molde de comunicação-violenta e depois ainda vivenciou um relacionamento abusivo que repetiu inúmeras vezes para mim que "eu jamais seria amada novamente" e que "eu não merecia ser feliz", quando se depara com uma surpresa dessas, entra em choque. 
Receber amor e carinho, nem sempre é espontâneo e natural. Se não fomos acostumados a isso, sentimos de dentro pra fora que não merecemos esse carinho. Que não é real. 
Então mais uma vez me deparo diante de um momento de me desnudar de novo e permitir essas mudanças. 
Eu busquei um relacionamento não abusivo e tive. Eu estou trabalhando uma comunicação não-violenta com minhas filhas. Eu busquei amizades femininas que valorizam o amor e este acolher entre mulheres, a empatia. Então, o universo começou cada vez mais a conectar com tudo isso, e o resultado está representado nessa foto. Não tem o que questionar. 
Colhemos o que plantamos. Mas lembrava dessa frase quando colhia coisas ruins e quando comecei a colher coisas maravilhosas, fiquei me questionando e sentindo que não merecia. 
Mas a verdade é que sempre merecemos, tudo. 
Obrigada










❤️